Como prometido, escreverei brevemente sobre minha última leitura: “Ecce Homo. Wie man wird was man ist.”, a auto-biografia de Nietzsche, o bigodudo.
Enquanto lia o livro minha mente não parava de ponderar um segundo sequer (aliás, até agora ainda reflito muito sobre as coisas que ele diz). O fato é que ele deve ser lido com cuidado.
Quando você lê as primeiras linhas, talvez seu primeiro impulso seja simplesmente jogar o livro pela janela (isso aconteceu comigo, mas como estava no ônibus pensei que talvez pudesse acertar algum inocente na rua), mas quando você termina vê que valeu a pena.
Esse fenômeno acontece por causa do EXTREMO egocentrismo que o Tio Nit não faz a menor questão de esconder. Basta dar uma olhada no sumário para constatar: entre os capítulos estão “Por que eu sou tão sábio”, “Por que eu sou tão inteligente”, “Por que eu escrevo livros tão bons” e “Por que eu sou um destino”.
Apesar de ele não ser isso tudo que ele pensava ser, é preciso reconhecer seu valor como pensador. Embora eu não concorde com certas idéias dele, a forma como ele fala de sua filosofia é fascinante, quase profética.
Não pretendo entrar em detalhes sobre a filosofia do bigode, pois esse é o primeiro livro dele com o qual tive contato. Sem sombra de dúvidas lerei outras de suas obras, a começar pela mais grandiosa: “Assim falou Zaratustra”. Estou curiosíssima.
Vou colocar aqui um trechinho do livro (um dos muitos em que ele combate a moral e o cristianismo), apenas para vocês sentirem o estilo do cara.
Que sentido têm aqueles conceitos mentirosos, os conceitos auxiliares da moral, da “alma”, do “espírito”, do “livre-arbítrio”, de “Deus”, senão o de arruinar fisiologicamente a humanidade?… Quando se desvia a seriedade da autoconservação, da fortificação do corpo, quer dizer, da vida, quando se faz da anemia um ideal, quando se constrói “a salvação da alma” sobre o desprezo ao corpo, o que é isso senão uma receita para a décadence? – A perda do equilíbrio, a resistência contra os instintos naturais, em uma palavra, a “ausência-de-si” – tudo isso foi chamado de moral até agora…
Além do combate ao cristianismo (e à religiosidade em geral), outros traços são interessantes: [1] o fato de ele ser alemão, se dizer polonês e resumir tudo o que há de ruim na palavra “alemão”… ele foi capaz de criticar todos os grandes nomes da Alemanha, até mesmo Kant e Leibniz (!); [2] Ele repudiava o nascente nazismo, mas depois de sua morte, sua irmã (uma nacionalista fanática) se apoderou de sua obra e a distorceu em nome do nazismo; [3] Quando escreveu Ecce Homo, enviou um exemplar para o então imperador alemão e na dedicatória disse que o enviara o livro para anunciar-lhe sua inimizade ; [4] Ele nasceu num 15 de outubro (que nem eu!! hahaha)
Enfim, a leitura é sensacional. Recomendo.
Arquivado em: Livros



Hummmm interessante…
Quem sabe 2007 nao será um ano que eu deva ler mais.
Como sempre, Julia a intelectual =]
iauhaiuhauihiuahiuah
medo de vc o.o
putz, foi mals, nem entro aki direito e vc vai direto la no meu flog =/
mas vo colocar vc la nos meus links p eu vir aki mais frequentemente
iauhauihahahauhiuah
bjos boba ^.^
Sabe que o tio Nit é quase que um amigo meu? Bom, nem tanto. Mas o pároco de minha paróquia, o tio Pe. Luchi, que é filósofo, vive na Alemanha em suas férias e é professor do Departamento de Filosofia da UFES é fã do Nietzche.
O mais legal é ver, durante suas homilias, sua contestação à filosofia de Nietzche. Sobre ele revivendo os alguns valores clássicos, defendendo a “ciclicidade” (viva o neologismo) do universo e coisas afins. Enfim, são homilias interessantes que podem enriquecer bastante os fãs desse cara aí.
A propósio, estive olhando meus gráficos e notei que 3.98% das visitas do meu blog são redirecionadas de seu blog. Muito obrigado!
A propósito, meu último post explica bem como o Linux entra em tudo aquilo. No mais, uma boa leitura para a senhorita.